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Uma Brusquense nas Arábias – Blogayra do mês

O sonho de uma grande maioria de brasileiros é poder morar fora do país e serem reconhecidos em suas profissões!
Gesica Marques

Gesica Marques

Bem, vou contar um pouco como foi minha trajetória até chegar nas Arábias, mais precisamente no Bahrain, uma ilha no golfo pérsico com aproximadamente 1,7 milhões de habitantes e de maioria muçulmana.

Quando se fala nas Arábias as pessoas já logo lembram de Dubai, Arábia Saudita, Catar e por aí vai.

E as perguntas mais comuns são:
Já achou um sheik árabe?
Quantos camelos vão pagar a sua família? 😂😂😂
É tanto ouro assim?
Tem homens bombas?
E as mulheres são submissas?
Entre outras questões.

Bem, se você chegou até aqui, então vou falar um pouco mais de mim para que você entenda e até mesmo sirva de inspiração e te ajude se um dia você pensar em mudar de país.

Me chamo Gesica Marques, tenho 30 anos, sou cabeleireira há 14 anos e estou a quase 3 anos morando no Bahrain, uma ilha nos Emirados Árabes.

E como surgiu esse sonho de ser cabeleireira?

Bem, nasci e fui criada até meus 13 anos em Vidal Ramos, uma cidade do interior onde a principal fonte de renda da minha família vinha da plantação de tabaco, uma vida considerada muito sofrida por muitos e claro por mim.
Eu, filha mais nova e única menina de quatro irmãos homens, tinha tudo pra não ser tão vaidosa e muito menos trabalhar com algo que envolvesse a área da beleza. Com a dificuldade na zona rural minha família se mudou para Brusque, conhecida como a cidade dos tecidos.

Foi então que meus pequenos sonhos começaram a se tornar realidade.

Muito nova e sem idade para ser registrada, comecei a trabalhar em uma confecção como manual e revisora de roupas. Poucos meses depois já estava costurando.

Sempre tive cabelos compridos e unhas muito bem cuidadas, algo que sempre chamava a atenção de todas as pessoas que trabalhavam comigo e perguntavam quem os fazia?

E eu sempre respondia que era eu mesma. Então todos falavam para que eu trabalhasse com isso, e essa vontade foi crescendo e eu despertando o interesse.

Muito em breve me mudei para uma confecção de toalhas, na qual tive uma lesão antes mesmo de assinar minha carteira de trabalho, mas não desisti.

Consegui um emprego em um mercado no qual fazia tudo, desde limpar o chão até repor produtos nas prateleiras. Trabalhava de manhã no mercado, à tarde fazia curso de cabelo, unha e alguns dias fazia uns bicos de diarista nas casas de alguns clientes do mercado para arrecadar mais dinheiro e pagar meus cursos.

Assim então comecei a atender minhas primeiras clientes nas suas casas, fazia de tudo: coloração, unhas, penteados e maquiagem.

Me formei e tive a oportunidade de trabalhar em um salão. Logo em seguida, entrei em uma escola de educação para cabeleireiros aprendizes na qual eu comecei como atendente e em pouco tempo já estava educando. As oportunidades foram surgindo uma após a outra.

Esse era meu salão no Brasil

Então surgiu a grande proposta

Foi então que surgiu a proposta inesperada de trabalhar em um salão brasileiro nas Arábias. Quando recebi a proposta me senti lisonjeada pelo reconhecimento do meu trabalho e ter oportunidade de representar a classe de cabeleireiros no exterior. Junto com a proposta surgiram vários questionamentos em minha cabeça. Isso é algo que todos devem fazer antes de embarcar em uma mudança de país.

É uma proposta segura?
Que país é esse?
Qual a língua falada?
Qual a segurança que eu tenho de largar tudo e começar do zero tudo de novo?

Pois bem, o conselho que dou é que pesquisem muito bem a respeito de tudo, da proposta de trabalho, das leis do país, se é um local de confiança e reconhecido pelo povo. Pois sempre escutamos muito sobre tráfico humano, trabalho escravo e outras coisas quando se trata de trabalho no exterior.

Eu fiz tudo isso, pesquisei muito e me certifiquei da autenticidade do trabalho. A partir daí embarquei na busca do desconhecido com a certeza de que algo transformador estaria por vir.

A única certeza que eu tinha era que uma cabeleireira faz cabelo em qualquer lugar do mundo.

Porém, algo me deixava muito apreensiva, não falava outra língua e sabia que isso seria um dos maiores desafios: a comunicação.

Mas Gesica, como você fez isso?
O que te deixou tão segura de se arriscar em um país árabe?

Primeiro saí do Brasil com visto de trabalho. Segundo, sabia que teriam brasileiras trabalhando comigo e traduzindo de começo para me ajudar e o resto foi puro esforço meu.

Colegas de trabalho todas brasileiras

E como é o reconhecimento do trabalho de uma brasileira cabeleireira num país árabe?

Somos muito reconhecidas como artistas, é um trabalho de qualidade que pouco se tem nessas regiões pois as pessoas aqui não são muito acostumadas a se profissionalizar. Nossas técnicas são atualizadas e nossos produtos são de qualidade.

Meu trabalho 😍

Como foi passar por esse processo de adaptação entre cultura e clientes totalmente diferentes?

O clima é muito quente, a água é salgada e os cabelos são mais grossos e pigmentados. Me desconstruí e reinventei novamente, tive que ter a humildade de pedir ajuda e não desisti.

Foto de uma das técnicas desenvolvidas no salão e modelo

como lidar com a distância e saudades da família?

Graças a Deus, hoje já temos a tecnologia e podemos nos comunicar por internet, e claro, os visito uma vez por ano.

E o que você fez de diferente que talvez não teria como fazer em tão pouco tempo estando no Brasil?

Conheci outros países e outras culturas, estou em constante contato com pessoas do mundo inteiro, todos os dias pois no salão atendemos mulheres de várias nacionalidades. E ajudo meus pais no Brasil.

Minha conclusão em relação a toda essa mudança e o conselho que eu dou é: Quando você tem um sonho não importa qual, se você for resiliente e persistente você alcança!

Eu de roupa tradicional em uma Mesquita (Não somos mais obrigadas a usar roupas locais, somente em lugares como mesquitas)

Instagram do salão que trabalho: @brazilstudiosalon

Meu Instagram: @gesicamarques_oficial_

Agradeço a oportunidade de contar a minha história!

Daiany Hank

Daiany Hank

Miga, amei essa história de superação!!! E você, se identifica com essa história? Compartilhe sua experiência aqui nos comentários.

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